MOITA BONITA/SE - Todas unidades do município
No microprocesso de recepção, que é a base da Atenção Primária à Saúde (APS), trabalhamos na organização dos processos de trabalho para melhorar o acesso da população à unidade de atenção primária. O primeiro passo foi observar os fluxos descentralizados dentro da unidade, onde era evidente que em dias de agendamento uma multidão de mais de 70 pessoas aguardava na recepção, marcavam pra qualquer médico sem manter os vínculos com as ESF de referência. Essa situação gerava brigas nas filas para determinar quem havia chegado primeiro, além de reclamações sobre o tempo de espera e a dificuldade em conseguir vagas em dias e horários que fossem convenientes.
Em seguida, conversamos com a população para entender sua satisfação com o sistema de agendamentos. Os feedbacks foram claros: eles desaprovavam a forma como os agendamentos eram realizados. Quando questionados sobre possíveis mudanças, muitos expressaram ceticismo, dizendo coisas como "vocês não conseguirão" ou "é muito difícil médicos aceitarem atender assim". No entanto, também houve manifestações de desejo por uma organização melhor e apoio à nossa iniciativa.
Com base nessas informações, iniciamos reuniões com gestores e profissionais da saúde, onde elaboramos planilhas para organizar os agendamentos por blocos de hora. Essa mudança visava eliminar a antiga lógica do "dia do programa", que concentrava atendimentos de usuários com as mesmas condições crônicas em um único dia.
Orientamos os profissionais a montarem as agendas por blocos de hora, permitindo que em cada hora fosse agendado um número específico de consultas programadas, mantendo espaço para demandas espontâneas. Os atendimentos foram organizados em intervalos de 15 minutos. O número exato de atendimentos por bloco foi discutido com os profissionais, levando em consideração suas especialidades; As consultas seriam disponibilizadas tanto pela manhã quanto à tarde. Além disso, as agendas dos profissionais foram protegidas para permitir participação em reuniões de equipe, oficinas de tutoria (educação permanente) e visitas domiciliares. Os dias dedicados aos “programas” foram eliminados da agenda, garantindo também que a agenda dos enfermeiros fosse reservada para ações administrativas.
Para o agendamento, solicitamos aos usuários que escolhessem nos horários disponíveis o que fosse mais adequado para eles. Esclarecemos a importância de chegar 15 minutos antes da consulta e avisar sobre qualquer impedimento que pudesse ocorrer no dia agendado. Após essa reorganização, partimos para a prática. Nos dias de agendamento, o tutor Gabriel, passou a orientar os profissionais sobre o novo sistema de blocos de hora. Esses momentos foram cruciais e resultaram em um bom engajamento com os mesmos. Estipulamos um prazo de 30 dias para eliminar as marcações apenas nas sextas-feiras e permitir agendamento a qualquer momento.
Contudo, o processo não foi fácil nem rápido. Apesar das dificuldades iniciais, tivemos êxito pois até nos povoados colocamos.